A prática da tradução pode ser entendida como um “laboratório da linguagem” a partir da corrente teórica da poesia concreta, da década de 1950, em que se buscava reinventar a linguagem e a poesia, procurando testá-las, modificá-las e experimentá-las de modos não convencionais, fugindo do tradicional e condenando o verso à “morte”. Como aparato teórico para a ideia do ato de traduzir como “laboratório da linguagem”, é possível citar o poema “lygia fingers”, de Augusto de Campos. Nele, o poeta concretista “brinca” com palavras, sons e elementos não linguísticos para dar origem a uma nova maneira de se fazer o uso da língua em termos poéticos. Nesse poema, é possível observar tanto o uso da linguagem quanto a estrutura desse gênero textual sendo utilizados de maneira diferente do convencional - ou seja, tais processos encontram-se em um “laboratório da linguagem” por estarem sofrendo experimentos e novas utilizações. Há uma certa ruptura da linearidade da linha, pois ela tem palavras em u...
Muito se discute acerca do “descobrimento” da América e, mais especificamente, da “descoberta” do território brasileiro. Mas, afinal, por que Portugal tinha de colonizar outros países? E qual é a relação dessa necessidade com as do Brasil no século XIX? Um dos autores relativos a esse tema, Alfredo Bosi, em seu livro “Dialética da colonização” (1992), propõe que a colonização foi uma tentativa de Portugal reafirmar a sua identidade diante do contexto sociopolítico conturbado em que se encontrava. Além disso, o autor Tzvetan Todorov (1982), em “A conquista da América: a questão do outro”, afirma que Portugal precisava se curar de sua “ferida narcísica” ao constatar que não estava sozinho no mundo. No mesmo viés, durante o século XIX, o Brasil também se ocupou da tentativa de reafirmar a sua identidade, a fim de subverter os valores, as ideias e a cultura portugueses que ainda eram vigentes na época. Para isso, alguns autores do romantismo, como José de Alencar, propuseram uma perspecti...